Título: The Beauty of Darkness
Título Original: ---
Autor: Mary E. Pearson
Série: The Remnant Chronicles #3
Páginas: 679
Ano: 2016
Editora: Henry Holt
Sinopse*: Lia sobreviveu a Venda - assim como um grande mal disposto a destruir Morrighan. E só Lia pode pará-lo.
Com a guerra no horizonte, Lia não tem escolha senão assumir seu papel de Primeira Filha, como soldado - como líder. Enquanto ela luta para chegar a Morrighan e avisá-los, ela encontra-se discordância com Rafe e desconfiada de Kaden, que a tem caçado por todo lugar.
Nesta conclusão para a trilogia Remnant Chronicles, os traidores devem ser erradicados, os sacrifícios devem ser feitos e as probabilidades impossíveis devem ser superadas à medida que o futuro de cada reino está na balança.


ATENÇÃO! Se você não leu os livros e/ou as resenhas anteriores, pode conter spoiler

Escuridão era algo bonito. Um beijo das sombras. Uma carícia tão suave quanto a luz da lua. [...] Escuridão era minha aliada. Ela me fez esquecer o mundo em que estava e me convidou a sonhar sobre outro*

E é com estas palavras que se inicia The Beauty of Darkness.

Quando terminei de ler The Heart of Betrayal, eu já tinha The Beauty of Darkness em mãos. Porém, não emendei a leitura porque, apesar daquele final, eu quis realmente digerir e estar preparada para o final dessa trilogia.

Outro motivo que adiei a leitura foi porque gostei muito de The Heart of Betrayal. Muito mesmo. Por conta disso, fiquei com um cadinho de medo desse aqui me decepcionar. Pela nota, viram que não foi isso que aconteceu.


Aviso aos navegantes! Se você ainda não leu The Heart of Betrayal, sugiro que pule os três próximos parágrafos, pois podem conter spoilers.

Esse é nosso sonho, Lia. juntos. Ninguém pode nos acordar.*

[ÁREA SUJEITA A SPOILER]

Se compararmos Lia que fugiu do casamento com a Lia de agora, são pessoas completamente diferentes. Designada a cumprir um papel na história e que não consultaram sua permissão, Lia cresceu bastante desde sua fuga de Morrighan e aprendeu que nem sempre o que ouvimos é verdade. Ela ainda é aquela menina sonhadora, mas seus sonhos mudaram. Agora, ela sonha em salvar seu reino, sonha em salvar os Vendans que ainda sofrem, e sonha em salvar até o reino de Dalbreck. Agora ela corre contra o tempo para que tudo isso aconteça. Terminei o livro gritando “ESSA É MINHA FILHA QUE PARI E VI CRESCER LINDAMENTE!”

No começo do livro, eu peguei um pouco de raivinha do Rafe por conta de algumas de suas atitudes, mas depois que deixei de ver vermelho e refleti sobre suas atitudes, creio que eu faria o mesmo no lugar. Além da ameaça constante contra a vida de Lia, agora ele exerce um novo papel em seu reino e isso o deixa dividido entre a mulher que ama e o reino que tanto precisa dele. Não que todas suas atitudes foram boas, mas eu entendo o que é estar entre a cruz e a espada.

Agora, com certeza, o personagem melhor construído foi Kaden. Pearson conseguiu trabalhar bem todas as nuances do personagem. Seu ódio por Morrighan e lealdade cega em Venda e o Khomizar se transformando em decepção e dúvidas pelo último e sentimentos confusos quanto ao primeiro. Desde o livro anterior, a autora vem trabalhando nessa mudança em tudo que Kaden acredita e o trabalho foi realmente bem feito. Eu realmente me afeiçoei ao personagem desde The Heart of Betrayal e estava bastante receosa sobre seu destino.

[FIM DA ÁREA SUJEITA A SPOILER]

[...] menos pudesse ser mais, o grande propósito que minha mãe sempre esperou por mim.
Talvez menos pudesse ser o bastante*

Durante boa parte do livro, eu tive uma tensão em algo que temos certeza que vai acontecer. E quando acontece, não é aquele típico tiro, porrada e bomba loucão para todos os cantos, mas ainda assim precisei de um colete novo. Fiquei desesperada e quase que acabo com as minhas unhas.

Se você espera algo como tiro, porrada e bomba de verdade verdadeira o livro todo, vai se decepcionar um cadinho. Como estamos vendo desde The Kiss of Deception, o envolvimento da história é a politicagem entre os reinos, com casamentos arranjados, ameaças de invasões, traições nos mais altos escalões da coroa, etc. E isso foi algo que gostei bastante. Obviamente tem um briguinha aqui, um enfiamento de espada ali, mas foi bem legal essa outra abordagem que a autora quis seguir. Fora que isso fez com o que o tal triângulo amoroso ficasse completamente em 10º plano.

Falando em amor, esse livro me surpreendeu com um casal que eu realmente nunca imaginei até uma amiga minha comentar esta então loucura comigo. Se vibrei? Com certeza, porque achei que foi um bom final para os dois e eles merecem.

Durante a trilogia, ficamos sabendo sobre a criação dos reinos através de alguns trechos de livros antigos. Seria interessante se autora lançasse um livro (UM LIVRO SOMENTE CÊ TÁ LIGADA, NÉ MOÇA?) contando em detalhes a história de Morrighan, Venda e como toda essa rivalidade começou. Aqui vemos um cadinho do reino de Dalbreck, mas sua origem não foi tão explorada. Então, minha sugestão: um livro contando a história dos três reinos.

"Traída pelos seus,
Espancada e desprezada,
Ela irá expor os maus,
Enquanto o Dragão de muitas faces
Não conhece fronteiras.
E, embora a espera pode ser longa,
A promessa é grande,
Para aquela chamada Jezelia,
Cuja vida será sacrificada
Para a esperança de salvar os seus"*

Pra terminar essa resenha, eu vi uma teoria de uma leitora no Goodreads que me deixou mindblowing. Tipo WOW COMASSIM!!!! Nessa teoria, ela diz que o cenário na história é na verdade um cenário pós-apocalíptico nos EUA. E a teoria dela é bem embasada com vários quotes que sugerem isso. Já aviso que pode ter spoilers, mas leia por sua conta e risco. Quem quiser arriscar seu inglês, veja aqui. Eu traduzi alguns dos tópicos, que você pode ler abaixo:

1- “Caminhamos por um longo caminho até Kaden finalmente parou em uma ruína despretensiosa, descansando a mão em uma árvore que envolve uma parede como dedos nodosos.”
- Isto costumava ser mais alto que qualquer torre em Venda’.
- Como alguém saberia? - Eu olhei para as paredes parciais que formaram uma enorme praça. As árvores cresciam sobre os restos como sentinelas torcidas. Nenhum dos restos reais eram não mais de uma dúzia de pés de altura e uma parede estava praticamente toda destruída. Parecia uma noção fantasiosa de supor que uma vez se erguia sobre toda a cidade. - Pode ter sido apenas as paredes de uma mansão - disse eu
- Não foi - disse Kaden com firmeza - Subia quase seiscentos pés até o céu.
- Seiscentos pés? - Eu resmunguei a minha descrença.
- Documentos foram encontrados que confirmá-lo. Tal melhor que eles podem decifrar, este foi um monumento a um de seus líderes. (The Heart of Betrayal)
---- O monumento de Washington é dito ser 555 pés de altura (~169,7 metros). E se você olhar para o mapa do país em Kiss of Deception, Venda é onde Washington DC é. O Rio Mississippi é onde o Grande Rio se encontra.

2- Eles também falam
“Era uma vez, criança / Há muito, muito tempo atrás / Sete estrelas foram lançadas do céu / Uma para agitar as montanhas / Outra para agitar os mares / Uma para sufocar o ar / E quatro para testar o coração dos homens / Mil facas de luz / Cresceram em uma grande nuvem / Como um monstro faminto / Apenas uma princesa encontro a graça / Uma princesa como você” (Contos de Morrighan)
---- Asteróides! Como com os dinossauros! Ou bombas!

3- “um momento em que você poderia pertencer a um lugar para sempre. Ama me disse isso, e às vezes eu sonhei que estava lá. Sonhava em lugares que nunca vira, em torres de vidro coroadas por nuvens, em pomares enormes cobertos de frutos vermelhos, em camas quentes e macias cercadas por janelas cortinadas. Estes foram os lugares que Ama descreveu em suas histórias, lugares onde todas as crianças da tribo seriam príncipes e princesas e seus estômagos sempre cheios." (Contos de Morrighan)
----Ela está falando de cidades como Nova York.

4- “Dizem que os Anciãos puxaram metais mais preciosos que o ouro do centro da terra - metais que eles giraram em asas de laço gigantes que voaram para as estrelas e voltaram” (The Kiss of Deception)
----Foguetes, espaçonaves ou aviões.

De início, eu fiquei com um pé atrás, mas depois de algumas passagens nesse livro sobre Os Últimos Testamentos de Gaudrel, tive a conclusão que toda essa história é um pós-apocalíptico e eu fiquei super estirada na BR. Naquele momento, eu estava virando as páginas do livros com os pés porque estava batendo palmas com as mãos. Fora que fiquei mortíssima com a referência que a Pearson faz à Sarah J. Maas.

The Beauty of Darkness é um ótimo final para uma trilogia que mereceu todo o sucesso e elogios que recebeu.


Resenhas anteriores
Livro 1 - The Kiss of Deception
Livro 2 - The Heart of Betrayal

[UPDATE dia 07/02] Mary anunciou no twitter um spin-off da trilogia. Será uma duologia, com o nome do primeiro livro sendo Dance of Thieves e abordará a história de uma ladra redimida, enviada para investigar um distúrbio em uma terra distante, onde ela encontra-se concordando com o líder de uma dinastia fora da lei. O livro está com previsão de lançamento internacional para 2018.


*Traduções feitas por mim