Resenha #208: Autoboyography - Christina Lauren (Simon & Schuster Books for Young Readers)

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Título: Autoboyography
Título Original: ---
Autor: Christina Lauren
Série: ---
Páginas: 416
Ano: 2017
Editora: Simon & Schuster Books for Young Readers
Sinopse**: Há três anos a família de Tanner Scott se mudou da Califórnia para Utah, fazendo com que sua bissexualidade voltasse para o armário. Agora, com apenas mais um semestre até o fim das aulas no colegial e seu tão sonhado futuro em uma universidade longe da família, ele só deseja que o tempo passe mais depressa.
Quando Autumn, sua melhor amiga, se inscreve na aula de escrita e o desafia a participar, Tanner não consegue recusar o convite, afinal de contas, quatro meses é tempo mais do que suficiente para escrever um livro, certo? O garoto está mais certo do que imagina, pois leva apenas um segundo para que ele note Sebastian Brother, o prodígio mórmon que, nas aulas de escrita do ano anterior, escreveu e publicou o próprio livro, e agora orienta a turma. Se quatro meses é muito tempo, um mês pode não ser. E é exatamente esse tempo que leva para Tanner se apaixonar por Sebastian.


Esta é a sua vida, e ela se esticará diante de você, e você é a única pessoa que pode fazer o que quer que seja.*

A representatividade LGBT no gênero young adult é algo maravilhoso que só vem crescendo nos últimos anos. É algo super válido porque, geralmente, é nessa fase da vida que a pessoa tem aquelas dúvidas, principalmente sobre orientação sexual. Fora que é algo desafiador escrever sobre esse assunto.

Não é segredo pra ninguém que Christina Lauren são minhas autoras preferidas dos últimos tempos. Apesar de serem mais conhecidas por seus romances calientes, as duas já se lançaram no gênero YA com os livros Sublime e The House. Porém, eu tenho certeza que nenhum deles foi tão hinário quando Autoboyography.

Este momento, e os momentos mais silenciosos depois, não podem ser editados. Eles não podem ser reescritos. Eles não podem ser apagados.*


Tanner foi um personagem maravilhoso. Ele é um cara divertido, leal (até com quem não precisa), amigo, sincero e, algumas vezes, um tanto sarcástico. Ele é bissexual assumido desde seus treze anos e não tem vergonha de assumir. Infelizmente, ele mora na cidade mais mormon dos EUA. Por conta de algumas opiniões dessa religião, sua mãe pediu para que ele escondesse esse lado por sua própria segurança. OK que isso o deixa super bolado, mas nada que influencie tanto na sua vida, até que ele conhece Sebastian.

Sebastian foi um personagem que gerou muita controvérsia em meus sentimentos. Por ser mormon, ele não aceitava assumir sua sexualidade, mas também não negava seus sentimentos por Tanner. Essa combinação gerava uma confusão em seus sentimentos porque ele se sentia bem com sua religião e com Tanner, mas estar com um praticamente excluía estar com outro. Ou seja, ele sabia que não iria se assumir, mas também não queria ficar longe de Tanner. Atitude um tanto egoísta, na minha opinião.

Quando eu beijo você, parece certo, mesmo que tudo o que eu leio diz que não deveria. Isso me faz ficar louco.*

Apesar dos pesares, os dois eram maravilhosos juntos. Tanner trazia um Sebastian à tona que ele mesmo não conhecia. Mesmo antes de começarem a se relacionar, a química era bem presente e tinha aquela faísca no ar. E era só coraçõezinhos os momentos carinhosos entre eles. (Aviso logo que não há nada de explícito na história, caso alguém já tenha dúvida)

Algo está acontecendo entre nós. Algo tem acontecido entre nós desde que nossos olhos se encontraram no primeiro dia de aula.*

O que mais gostei na história foi a visão de Tanner. Geralmente, temos um livro com um personagem LGBT se descobrindo ou então já declarado, o que foi diferente aqui. Durante a história, acompanhamos Tanner lidando com o fato de Sebastian ter se descoberto gay, mas não querendo sair de Nárnia. Tanner tenta ao máximo ajudar o cara que está gostando, mas também não o culpei quando ele queria ser mais que um segredo.

Outro fato legal é Tanner ser bi. Como ele mesmo coloca, muitas pessoas, inclusive na comunidade, acha que bissexualidade é uma indecisão, uma fase. Por muitas vezes, Tanner bate nessa tecla de que por que as pessoas não podem aceitar que ele pode se apaixonar tanto por homem quanto por mulher e que ser bi não é uma indecisão. Creio que nunca encontrei um personagem bi que tivesse tanto destaque como Tanner.

Eu sou um cara bissexual metade judeu que está se apaixonando por um cara mormon.*

Como falei no começo, eu acho que escrever uma história LGBT é um tanto desafiador. Agora, escrever uma história LGBT feat cultura mormon explodiu meu cérebro. É bem visível que as autoras fizeram uma grande pesquisa sobre a religião e sua cultura. O que gostei mais ainda foi o fato de elas terem abordado os mormons de uma forma não-sensacionalista. Seria fácil fazer um bando de acusações sobre alguns “pecados” que a religião acredita, mas elas tiveram preferência em abordar o lado positivo e negativo de forma equilibrada.

Um Deus digno de seu amor eterno não o julgaria por quem você ama enquanto está aqui.*

A família de Tanner é aquela família que todo mundo queria ter. Super acolhedora e divertida, eles sempre apoiaram Tanner e sua sexualidade, não tendo vergonha do filho. A mãe é ex-mormon e o pai é um judeu não-praticante. Ambos já sofreram julgamentos de sua própria família e, por isso, fazem o máximo possível para não repetir com os filhos. Além de Tanner, eles têm uma filha chamada Hailey na fase emo gótica, que infelizmente não teve muito destaque.

Adorei a amizade entre Tanner e Autumn. Um era porto seguro do outro, visto que eram tidos como párias em Provo. Assim como Tanner, Autumn é uma pessoa super leal e Tanner sempre se martirizava sobre não ter sido completamente sincero com ela sobre sua sexualidade, principalmente porque achar que ela nutria alguns sentimentos por ele.

Autoboyography já está com previsão de lançamento aqui no Brasil. Ele sairá com o nome de Minha Versão de Você, pela Editora Hoo (selo da Universo dos Livros). Eu gostei do título BR (milagres acontecem), mas queria que tivessem mantido o original porque é um super trocadilho e tem super a ver com a história.

Autoboyography é um livro que aborda sexualidade e religião de forma leve, engraçada e envolvente, te deixando com o coração quentinho quando acaba.

Todos os dias eu seria grato pelo que tenho, e que eu posso ser quem eu sou sem julgamento.
Então, todos os dias eu lutaria por Sebastian, e as pessoas no mesmo barco, que não têm o que eu tenho, que lutam para encontrar-se em um mundo que lhes diz branco e hétero é primeira escolha no jogo de vida escolar.*


* Traduções feitas por mim
** Sinopse retirada da edição da editora Hoo

22 comentários:

  1. Parece ser bem interessante :D

    http://submersa-em-palavras.blogspot.com.br/

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  2. Parece ser um livro bem bacana!
    Respondendo ao seu comentário no blog, ontem foi postagem coletiva, então não foi somente a Renata quem postou os três esmaltes. ^^

    Beijo!
    Cores do Vício

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  3. Lovely! Have a nice day sweetie!

    I'm following you! Follow back? Please let me know!
    ❤ MARY MARÍA STYLE ❤

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  4. Uau! Parece ser incrível! Já vou ficar de olho nesse lançamento por aqui.
    Parece ser um livro com uma sensibilidade muito forte. Concordo com você que é muito bom a visibilidade que obras LGBT vem ganhando, mas tenho medo ás vezes da forma como pode ser abordado. Pelo visto, vou gostar desse livro.
    Ah, adorei teu blog, estou te seguindo <3

    https://leituravorazblog.blogspot.com.br/

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  5. Parece ser muito bacana, não conhecia o livro!

    Beijos

    Blog Lua Soares

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  6. Oi Luiza,
    Eu tinha visto que a Hoo está para lançar o livro, mas não tinha lido nenhuma resenha.
    E se pela sinopse já tinha achado a ideia super original, sua resenha me convenceu que preciso ler.
    Achei muito interessante o encontro entre a tematica LGBT e a religião, pois bem sabemos os conflitos que existem aí. Outro aspecto que me chamou atenção foi o fato do protagonista ser bi, pois tbm nunca encontrei algum personagem que fosse bissexual e que tivesse muito destaque na estória.
    Abraço,
    Alê
    www.alemdacontracapa.blogspot.com

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  7. Um livro desses com representatividade bi? Seria meu sonho??? Ainda não tinha ouvido falar, mas adorei a resenha e já quero! Vou guardar o nome br pra ler quando lançar aqui!
    Um beijão,
    Gabs | likegabs.blogspot.com ❥

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  8. Oi Lu! Tudo bem?

    Já li alguns livros LGBT e alguns deles não foram tão bons assim, mas a proposta desse me trouxe curiosidade levando em conta as temáticas e a sexualidade que por sua vez é um meio termo comparado ao padrão dos outros livros.

    Grande abraço!
    www.cafeidilico.com

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  9. Oi, Lu. Talvez tenha sido um preconceito meu mas eu nunca quis ler livros com essa temática porque me incomoda um pouco. Mas acho que para quem quiser sair da zona de conforto, com certeza a história seria muito boa. Vou tentar dar uma oportunidade.
    Beijos
    http://www.leitoraencantada.com/

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  10. Achei a capa muito linda. Você e seus livros em inglês maravilhosos de indicação :)

    www.vivendosentimentos.com.br

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  11. Oi Lu! Eu já tinha visto a capa pela Editora Hoo e tinha ficado muito curiosa, mas não sabia como a trama se desenrolaria. Fiquei bastante curiosa e a obra já entrou nos meus desejados.
    Beijos

    www.lendoeapreciando.com

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  12. Olá, Luiza.
    Acho que nunca li nada que fale sobre essa cultura mórmon. Acho até que eles são bem escassos nessas informações e nãos ei como a autora conseguiu escrever sobre hehe. Achei o livro interessante, pode ser que eu leia.

    Prefácio

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  13. Oi Luiza, tudo bem?
    Gostei muito do nome escolhido para a versão que será publicada aqui no Brasil, chamou até mais minha atenção que o nome original, confesso. Achei a premissa bem interessante, espero ter oportunidade de ler um dia! Ótima resenha, como sempre! :D

    Obrigada pelo carinho. Volte sempre!
    Um super beijo :*
    Claris - Plasticodelic

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  14. Adorei a resenha e que capa linda! ♥

    Abraços...

    https://submundosliterarios.blogspot.com.br/

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  15. OIii Lu

    Que capa fofinha essa, amei. Confesso que ando meio saturada de romances ou chick lits, sejam eles de qual temática for. No momento ando mais para suspense,s thrillers e of course as fantasias de hoje e sempre. Ainda assim, pelas boas criticas que li certamente merece uma oportunidade futuramente, vou deixar anotado na minha listinha pra quando pintar a vontade de ler algo mais leve.

    Beijos

    aliceandthebooks.blogspot.com

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  16. Owwwn que fofo. Essa capa é linda e mesmo eu já estando meio velhinha pra YA (foi-se o tempo em que eu gostava) o tema é chamativo. Mas fica aí o questionamento... a Autumn tinha mesmo sentimentos por ele? hehe Pq hora que falou que ele era bi eu já fiquei pensando que sim (digo pelo sua resenha, nunca li o livro).

    Pq vc fala de Christina Lauren como AUTORAS? São duas?

    bjsss!


    http://www.cafeidilico.com

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  17. Oi Lu! Eu achei que a dupla só escrevesse eróticos e fiquei curiosa para ler este livro. Realmente parece ter uma abordagem sobre o tema diferente de outros livros que li. Bjos!!!

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  18. Oi, Luiza!

    Adoreeei a premissa desse livro! É meio difícil encontrar personagens bi - normalmente são homossexuais - e adorei o fato de esse livro ter inovado. Também achei interessante que há bastante pesquisa a respeito dos mórmons, que é uma religião que eu sei pouco sobre.

    Beijos,
    Isa
    Viciadas em Livros
    Participe do Amigo Secreto Literário do Viciadas em Livros

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  19. Oi Lu! Essas autoras são sempre um arraso! O tema é ótimo e super curti o Sebastian ser mormom e abordar a sexualidade dele, foge do comum! Muito bom! E ainda bem que dessa vez vc curtiu o nome em pt hehehehehehe

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  20. Eu tenho um pé atrás em relação a essas autoras, porque detestei o Cretino Irresistível.
    Mas fiquei com muita curiosidade em relação a esse por ser lgbt e young-adult! =)

    MRS. MARGOT

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  21. Eu não sabia desse lado YQ de Christiana Lauren ou não prestei atenção, sei lá! Como pessoa que cresceu em uma comunidade semelhante aos mormons já sinto que vou me identificar com o Sebastian e as dificuldades de sai do mundo preto e branco para o mundo colorido no qual a gente de repente descobre que o amor não é condicional, o amor acontece. Também gostei do titulo em português, ficou poetico. Agora me resta esperar pelo livro em português.

    Jaci
    Uma Pandora e Sua Caixa

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  22. Oi Lu, tudo bom?
    Eu fiquei tão feliz quando descobri que trariam esse livro pra cá! Quanto mais literatura representativa, melhor. E ter uma editora só pra esse tipo de publicação - num selo tão grande quanto o da Universo - é incrível!
    Gostei muito de saber da história. Tramas sobre descobertas são legais, mas ter um personagem já assumido se desenvolvendo dentro dessa premissa é ótimo também *-*
    Vou tentar adquirir no próximo mês!

    Beijos,
    Denise Flaibam.
    www.queriaestarlendo.com.br

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