Título: Autoboyography
Título Original: ---
Autor: Christina Lauren
Série: ---
Páginas: 416
Ano: 2017
Editora: Simon & Schuster Books for Young Readers
Sinopse**: Há três anos a família de Tanner Scott se mudou da Califórnia para Utah, fazendo com que sua bissexualidade voltasse para o armário. Agora, com apenas mais um semestre até o fim das aulas no colegial e seu tão sonhado futuro em uma universidade longe da família, ele só deseja que o tempo passe mais depressa.
Quando Autumn, sua melhor amiga, se inscreve na aula de escrita e o desafia a participar, Tanner não consegue recusar o convite, afinal de contas, quatro meses é tempo mais do que suficiente para escrever um livro, certo? O garoto está mais certo do que imagina, pois leva apenas um segundo para que ele note Sebastian Brother, o prodígio mórmon que, nas aulas de escrita do ano anterior, escreveu e publicou o próprio livro, e agora orienta a turma. Se quatro meses é muito tempo, um mês pode não ser. E é exatamente esse tempo que leva para Tanner se apaixonar por Sebastian.


Esta é a sua vida, e ela se esticará diante de você, e você é a única pessoa que pode fazer o que quer que seja.*

A representatividade LGBT no gênero young adult é algo maravilhoso que só vem crescendo nos últimos anos. É algo super válido porque, geralmente, é nessa fase da vida que a pessoa tem aquelas dúvidas, principalmente sobre orientação sexual. Fora que é algo desafiador escrever sobre esse assunto.

Não é segredo pra ninguém que Christina Lauren são minhas autoras preferidas dos últimos tempos. Apesar de serem mais conhecidas por seus romances calientes, as duas já se lançaram no gênero YA com os livros Sublime e The House. Porém, eu tenho certeza que nenhum deles foi tão hinário quando Autoboyography.

Este momento, e os momentos mais silenciosos depois, não podem ser editados. Eles não podem ser reescritos. Eles não podem ser apagados.*


Tanner foi um personagem maravilhoso. Ele é um cara divertido, leal (até com quem não precisa), amigo, sincero e, algumas vezes, um tanto sarcástico. Ele é bissexual assumido desde seus treze anos e não tem vergonha de assumir. Infelizmente, ele mora na cidade mais mormon dos EUA. Por conta de algumas opiniões dessa religião, sua mãe pediu para que ele escondesse esse lado por sua própria segurança. OK que isso o deixa super bolado, mas nada que influencie tanto na sua vida, até que ele conhece Sebastian.

Sebastian foi um personagem que gerou muita controvérsia em meus sentimentos. Por ser mormon, ele não aceitava assumir sua sexualidade, mas também não negava seus sentimentos por Tanner. Essa combinação gerava uma confusão em seus sentimentos porque ele se sentia bem com sua religião e com Tanner, mas estar com um praticamente excluía estar com outro. Ou seja, ele sabia que não iria se assumir, mas também não queria ficar longe de Tanner. Atitude um tanto egoísta, na minha opinião.

Quando eu beijo você, parece certo, mesmo que tudo o que eu leio diz que não deveria. Isso me faz ficar louco.*

Apesar dos pesares, os dois eram maravilhosos juntos. Tanner trazia um Sebastian à tona que ele mesmo não conhecia. Mesmo antes de começarem a se relacionar, a química era bem presente e tinha aquela faísca no ar. E era só coraçõezinhos os momentos carinhosos entre eles. (Aviso logo que não há nada de explícito na história, caso alguém já tenha dúvida)

Algo está acontecendo entre nós. Algo tem acontecido entre nós desde que nossos olhos se encontraram no primeiro dia de aula.*

O que mais gostei na história foi a visão de Tanner. Geralmente, temos um livro com um personagem LGBT se descobrindo ou então já declarado, o que foi diferente aqui. Durante a história, acompanhamos Tanner lidando com o fato de Sebastian ter se descoberto gay, mas não querendo sair de Nárnia. Tanner tenta ao máximo ajudar o cara que está gostando, mas também não o culpei quando ele queria ser mais que um segredo.

Outro fato legal é Tanner ser bi. Como ele mesmo coloca, muitas pessoas, inclusive na comunidade, acha que bissexualidade é uma indecisão, uma fase. Por muitas vezes, Tanner bate nessa tecla de que por que as pessoas não podem aceitar que ele pode se apaixonar tanto por homem quanto por mulher e que ser bi não é uma indecisão. Creio que nunca encontrei um personagem bi que tivesse tanto destaque como Tanner.

Eu sou um cara bissexual metade judeu que está se apaixonando por um cara mormon.*

Como falei no começo, eu acho que escrever uma história LGBT é um tanto desafiador. Agora, escrever uma história LGBT feat cultura mormon explodiu meu cérebro. É bem visível que as autoras fizeram uma grande pesquisa sobre a religião e sua cultura. O que gostei mais ainda foi o fato de elas terem abordado os mormons de uma forma não-sensacionalista. Seria fácil fazer um bando de acusações sobre alguns “pecados” que a religião acredita, mas elas tiveram preferência em abordar o lado positivo e negativo de forma equilibrada.

Um Deus digno de seu amor eterno não o julgaria por quem você ama enquanto está aqui.*

A família de Tanner é aquela família que todo mundo queria ter. Super acolhedora e divertida, eles sempre apoiaram Tanner e sua sexualidade, não tendo vergonha do filho. A mãe é ex-mormon e o pai é um judeu não-praticante. Ambos já sofreram julgamentos de sua própria família e, por isso, fazem o máximo possível para não repetir com os filhos. Além de Tanner, eles têm uma filha chamada Hailey na fase emo gótica, que infelizmente não teve muito destaque.

Adorei a amizade entre Tanner e Autumn. Um era porto seguro do outro, visto que eram tidos como párias em Provo. Assim como Tanner, Autumn é uma pessoa super leal e Tanner sempre se martirizava sobre não ter sido completamente sincero com ela sobre sua sexualidade, principalmente porque achar que ela nutria alguns sentimentos por ele.

Autoboyography já está com previsão de lançamento aqui no Brasil. Ele sairá com o nome de Minha Versão de Você, pela Editora Hoo (selo da Universo dos Livros). Eu gostei do título BR (milagres acontecem), mas queria que tivessem mantido o original porque é um super trocadilho e tem super a ver com a história.

Autoboyography é um livro que aborda sexualidade e religião de forma leve, engraçada e envolvente, te deixando com o coração quentinho quando acaba.

Todos os dias eu seria grato pelo que tenho, e que eu posso ser quem eu sou sem julgamento.
Então, todos os dias eu lutaria por Sebastian, e as pessoas no mesmo barco, que não têm o que eu tenho, que lutam para encontrar-se em um mundo que lhes diz branco e hétero é primeira escolha no jogo de vida escolar.*


* Traduções feitas por mim
** Sinopse retirada da edição da editora Hoo