Título: The Kiss of Deception
Título Original: ---
Autor: Mary E. Pearson
Série: The Remnant Chronicles #1
Páginas: 492
Ano: 2014
Editora: Henry Holt
Sinopse*: Tudo parecia perfeito, um verdadeiro conto de fadas menos para a protagonista dessa história. Morrighan é um reino imerso em tradições, histórias e deveres, e a Primeira Filha da Casa Real, uma garota de 17 anos chamada Lia, decidiu fugir de um casamento arranjado que supostamente selaria a paz entre dois reinos através de uma aliança política. O jovem príncipe escolhido se vê então obrigado a atravessar o continente para encontrá-la a qualquer custo. Mas essa se torna também a missão de um temido assassino. Quem a encontrará primeiro?
Quando se vê refugiada em um pequeno vilarejo distante o lugar perfeito para recomeçar ela procura ser uma pessoa comum, se estabelecendo como garçonete, e escondendo sua vida de realeza. O que Lia não sabe, ao conhecer dois misteriosos rapazes recém-chegados ao vilarejo, é que um deles é o príncipe que fora abandonado e está desesperadamente à sua procura, e o outro, um assassino frio e sedutor enviado para dar um fim à sua breve vida. Lia se encontrará perante traições e segredos que vão desvendar um novo mundo ao seu redor.
O romance de Mary E. Pearson evoca culturas do nosso mundo e as transpõe para a história de forma magnífica. Através de uma escrita apaixonante e uma convincente narrativa, o primeiro volume das Crônicas de Amor e Ódio é capaz de mudar a nossa concepção entre o bem e o mal e nos fazer repensar todos os estereótipos aos quais estamos condicionados. É um livro sobre a importância da autodescoberta, do amor, e como ele pode nos enganar. Às vezes, nossas mais belas lembranças são histórias distorcidas pelo tempo.


Se tem um livro que caiu nas graças do povo foi The Kiss Of Deception. Por todo o marketing investido nele, eu creio que ele foi o carro-chefe do selo DarkLove, da DarkSide. E hoje lhes trago minha opinião.

Lia é princesa do Reino de Morrighan e, como Primeira-Filha, está destinada a ter o dom, mas que, infelizmente, ainda não se manifestou. No dia de seu casamento arranjado com o príncipe do reino de Dalbreck, Lia chuta o pau da barraca e foge, junto com sua amiga Pauline.

Pouco tempo depois que as duas chegam em Terravin, chegam dois rapazes bastante interessados em Lia: Rafe e Kaden. Porém seus interesses são bem divergentes: um é o príncipe que ela deveria se casar, o outro é um assassino contratado por um reino inimigo para matá-la.

Como tenho certeza que Lia pulou a fila da sorte quando nasceu, um dos conselheiros do seu pai também quer matá-la por ter roubado uns livros bem velhinhos, mas importantes. Então, começa um jogo de gato e rato para se descobrir quem quer matá-la, quem vai ajudá-la e, acima de tudo, se Lia vai conseguir viver a vida que sempre desejou.


Assim como Neve e Cinzas, o começo foi um tanto lento pra mim porque te faz cair de paraquedas na história e sem saber muito sobre o que ta com teseno. A leitura foi envolver mesmo, para mim, depois que os dois rapazes - Rafe e Kaden - entraram em cena e rolando aquele mistério de quem era príncipe e quem era assassino.

Se a gente não pode confiar em uma pessoa no amor, não se pode confiar nela para nada. Algumas coisas não podem ser perdoadas.*

A leitura vai mantendo um ritmo já caracteristico do gênero e, quando você menos espera, rola tiro, porrada, bomba e reviravoltas que não te fazem largar o livro até que tenha terminado a história. Quem vê a quantidade de páginas e de capítulos, pode se assustar e até desanimar a ler. NÃO FAÇA ISSO! Apesar de serem uma quantidade significativa, os capítulos são curtos e a escrita da Pearson é bem fluída que, quando você menos se espanta, já está quase acabando.

Lia foi uma protagonista que caiu nas minhas graças, o que é bem difícil acontecer em alguns YA. Assim como Meira (Neve e Cinzas) e Celaena (Trono de Vidro), Lia não faz a típica protagonista que, quando não é loucona das arábias com sangue nos olhos se achando a incrível Hulk, se acha muito fraca para lutar. Lia é uma menina sonhadora sim, querendo encontrar o amor da sua vida e casar por amor, mas, ao mesmo tempo, ela sabe ser decidida e forte, expressar suas opiniões, não ficar calada quando algo está errado e saber onde se encontra suas fraquezas, sem se envergonhar por isso - afinal, ninguém é perfeito. Eu creio que isso que ainda falta em algumas protagonistas.

Comparando com outros livros do gênero que já li, se apaixonar era visto sinônimo de fraqueza e submissão. Tanto que, se for reparar em alguns livros do gênero, as protagonistas que se deixam levar pelo amor, se tornam submissas, se acham fracas para poder lutar e assim vai, porque o amor da sua vida quer "protegê-la". O bom é que isso está mudando.

Apaixonar-se por alguém não precisa ser sinônimo de fraqueza - deve-se tornar um incentivo para lutar. Pelo que percebi em Lia, Meira e Celaena é que, apesar de eventualmente se apaixonarem, não deixam que esse sentimento e o boyzinho lá mudem seu jeito de pensar e agir. Hoje em dia, se fala muito de empoderamento feminino. Então, colocar uma protagonista que, quando se apaixona, muda completamente por conta do carinha, é regredir em todo esse processo. Graças a Zeus e Odin, esse pensamento vem mudando.

Sobre Lia, Meira e Celaena
Eu vi alguns comentários sobre o “triângulo amoroso”. Desde o primeiro momento, eu creio que Lia já havia feito sua escolha. Entretanto, a terceira parte ainda se vê envolvida com Lia justamente por conta do mistério dos dois garotos (parece até nome de conto de terror) e por conta de seus sentimentos por ela. Mas, no meu ver, em nenhum momento ela ficou naquela indecisão que sempre rola atééééé acabar a trilogia. E também, o que seria um YA sem um triângulo né, galera? O bom é que você fica tão na curiosidade em saber quem é o assassino e quem é o príncipe, que esse relacionamento fica em quarto plano.

Talvez houvesse centenas de formas diferentes de se apaixonar.*

Algo que achei magnífico na história é toda a história dos reinos. Temos alguns trechos de histórias antigas, que te ajudam a conhecer mais sobre como surgiu todo aquele mundo. E esse é um detalhe que os autores estão utilizando muito: te explicar a história dentro da história. Apesar de me deixar um cadinho confusa no começo, eu ainda prefiro assim do que parar pra dar uma aula de história.

Os velhos deverão ter sonhos
As moças novas terão visões
A besta da floresta irá embora
Eles verão a criança da miséria chegar
E limpar o caminho
- Canção de Venda**
Quanto ao mistério quem é príncipe, quem é assassino, pra mim, como sou estraga prazeres, logo quando eles apareceram eu já sabia quem era quem. Como? Pode ser porque eu li a sinopse do segundo livro? Nunca saberemos…OK! Eu li, mas foi bem depois de ter lido sobre a entrada dos personagens.

O que realmente entregou quem era príncipe e quem era assassino foi a descrição da autora sobre os dois. Pearson descreve os dois de forma que eles são completamente diferentes e que nos fazer acreditar de cara que um deles é príncipe e o outro assassino por uma simples característica. Sorry, Mary, mas eu não cai nessa #bjsdeluzenãodesistedemim

Ainda sobre Rafe e Kaden, eu gostei muito de como a autora criou os dois. São dois personagens que foram feitos para te encantar e realmente te deixar na dúvida quem era quem. Assim como os carinhas, outros personagens que entraram na vida de Lia, como Pauline, Gwyneth e Berdi, foram personagens bem construídos e com características marcantes.

“Algumas coisas duram.”
Encarei-o. “É mesmo? E exatamente que coisas seriam essas?”
“As coisas que importam.”*

Quem acompanha o instagram do blog, já viu que eu comprei os dois primeiros livros em inglês. Queria fazer suspense e tals por conta do correio (que ainda vai sair), mas a animal aqui lembrou que já havia comentado. Enfim… Não era isso que eu queria dizer. A minha edição é em inglês e e eu fiquei meio WAT quando vi como a DarkSide traduziu a palavra deception ao longo da história. (Vocês já perceberam que eu sou a louca das traduções)(Culpa da minha Lua em Virgem que me deixa bem metódica).

Deception pode ser traduzido como decepção, engano, fraude, mas a editora vai lá e me traduz como engodo. Taí uma palavra que nunca havia ouvido na vida com esse sentido. Se eu tivesse lido em português, pode ter certeza que eu cataria no dicionário o que significa. Só queria colocar pra fora esse pensamento.

O segundo livro - The Heart of Betrayal - já está em pré-venda e tem seu lançamento marcado para o dia 31/10. Já o terceiro livro - The Beauty of Darkness - ainda não tem previsão (O meu adquiri na promoção linda da Amazon #bjssualinda).




Como eu já previa com meu terceiro olho, The Kiss of Deception é um livro que realmente agrada aos fãs de fantasias YA, como Trono de Vidro e Neve e Cinzas.


* Retirados da edição da DarkSide
** Traduzido por mim
*** Percebe-se que sempre tiro foto mostrando as minhas unhas pintadas pra vocês. Me perdoem e não desistam de mim