Título: Crooked Kingdom (BR: Crooked Kingdom - Vingança e Redenção)
Título Original: ---
Autor: Leigh Bardugo
Série: Six of Crows #2
Páginas: 536 (BR: 448)
Ano: 2016 (BR: 2017)
Editora: Henry Holt (BR: Gutenberg)
Sinopse*: “Confiar na pessoa errada pode custar a própria vida.”
Após se safarem milagrosamente de um ousado e perigoso assalto na notória Corte do Gelo, Kaz Brekker e sua equipe se sentem invencíveis. Mas o destino está prestes a dar uma perigosa guinada e, em vez de dividir uma vultosa recompensa, os seis comparsas terão que se munir de forças, de armas e de seus talentos para lutar pelas próprias vidas. Traídos e devastados pelo sequestro de um valioso membro da equipe, o Clube do Corvo agora conta com poucos recursos e aliados, e quase nenhuma esperança. Enquanto isso, forças descomunalmente poderosas se abatem sobre Ketterdam para desenterrar os segredos mais sombrios da potente droga conhecida como jurda parem, ao passo que antigos rivais e novos inimigos surgem para desafiar a perspicácia de Kaz e testar a frágil lealdade de seus parceiros. Agora, todos terão de enfrentar seus próprios demônios, e será preciso muito mais do que sorte para sobreviver à guerra que está se armando nas ruas obscuras e tortuosas desse implacável submundo – uma batalha por vingança e redenção que decidirá o futuro do mundo Grisha.


ATENÇÃO! Se você não leu os livros e/ou resenhas anteriores, pode conter spoiler

“Os monstros realmente maus nunca se parecem com monstros.”*

Com certeza essa resenha vai entrar na listinha das resenhas que tiveram um parto mais que demorado e ainda não acabou saindo como eu queria. Crooked Kingdom conseguiu ser melhor do que eu esperava e por conta disso tudo o que eu escrever aqui não vai chegar nem perto de descrever tudo que senti. Por isso, a imagem abaixo explica tudo o que senti do início ao fim do livro.


Depois do final de Six of Crows, esperava-se que a Bardugo prolongasse mais na solução do problema. Tudo foi resolvido logo nos primeiros capítulos de forma inteligente (o que não esperava menos) para aí sim mostrar a que veio essa continuação.

“Nós encaramos o medo. [...] Cumprimentamos o visitante inesperado e escutamos o que ele tem para nos dizer. Quando o medo chega, algo está para acontecer.”*

O ponto forte da história com certeza são os personagens. Como falei na resenha anterior, ainda fico besta como cada um é diferente do outro, mas a autora soube trabalhá-los muito bem juntos. Se no livro passado, onde foram obrigados a trabalharem juntos mesmo se odiando eles já causavam, imagine nesse livro que todos têm o mesmo desejo e propósito? Quando eu penso que a Bardugo não poderia melhorar a interação entre eles, ela vai lá e mostra que o que vimos no livro anterior, não chega nem perto desse.


Crooked Kingdom tem um ritmo frenético do começo ao fim, não deixando tempo para respirar. Em parte, isso é responsável pelos planos originados da cabeça astuta e inteligente de Kaz Brekker. A outra parte é que não sabemos muito bem dos seus planos até eles serem executados. Pra que explicar se ela pode nos surpreender? E isso é uma das melhores coisas nessa duologia. Bardugo consegue trabalhar bem suspense e tensão nessas execuções que é impossível prever o que pode acontecer futuramente, o que deixa a história bem mais envolvente. Se tem uma frase que pode resumir todos esses planos, é o motto do Leonard Snart aka Capitão Gelo (The Flash/Legends of Tomorrow): crie o plano, execute o plano, espere o plano dar errado, jogue o plano fora. A diferença é que vamos jogar o plano fora e substituir por outro que já havia sido formado, caso algo dê errado. (O que já era algo a se esperar)

“Podemos enfrentar todo tipo de dor. Mas é a vergonha que devora o homem.”*

É engraçado como a autora nos fez afeiçoar por um grupo de índole totalmente suspeita. Posso estar me repetindo da resenha passada, mas o modo como ela criou e construiu os personagens não deixa margem para que não haja torcida para dar tudo certo. E é nesse detalhe que nos faz quebrar a cara. Esquecemos que eles são bandidos - alguns assassinos - e que por mais que eles possam se safar de tiros, porradas e bombas, eles são pessoas de carne e osso como eu e você. Por isso, em determinada cena já na reta final, minha raiva superou minha tristeza porque eu me deixei ser trouxa e achar que tudo poderia acabar muito bem.

“Fui feito para protegê-la. Somente a morte me afastará desse juramento.”*

Desde que comecei a leitura, eu previa que o meu sentimento ao terminar esse livro seria o mesmo quando terminei A Conjuring of Light. E eu não estava enganada. Assim como no livro da Schwab, eu achei o final da história bem condizente com tudo que aconteceu e não poderia ser de forma diferente. Fora que, depois do final de Ruína e Ascensão, eu esperava algo parecido.

Nessa continuação, temos participações de alguns personagens já conhecidos (de quem leu) da Trilogia Grisha, o que deu um toque a mais na história. E o engraçado foi ver como os personagens se encaixaram bem no meio de toda a treta, parecendo que sempre estiveram ali.

“Melhor verdades terríveis do que mentiras gentis.”*

Com certeza, essa duologia entrou na lista de melhores livros do ano, se não da minha vida. Leigh Bardugo conseguiu executar uma história inteligente e cheia de plots twists de forma envolvente, sem se tornar cansativa ou surreal.

“Lembre-se de tudo pelo que passamos. Lembre-se do motivo de termos vindo aqui.”*

Mas as histórias no Grishaverso não param por aqui. Esse ano, a Leigh Bardugo anunciou uma série estrelando Nikolai Lantsov, personagem que deu sua graça na Trilogia Grisha e melhor personagem daquele lugar. O primeiro livro se chamará King of Scars (Rei das Cicatrizes em tradução livre) e está com lançamento previsto para 2019.


Resenhas anteriores
Livro 1 - Six of Crows

*Sinopse e quotes retirados da edição da Gutenberg


PS: como comentei com os migos no whatsapp, o sentimento de Kaz para com seus inimigos é tipo o ódio da Taylor Swift pela Katy Perry; não queira ninguém na sua vida te odiando assim