Filme #95: Moxie - Quando As Garotas Vão À Luta


Título Original: Moxie
Sinopse: O que acontece quando se junta uma garota de uma cidade pequena do Texas com o movimento feminista? Uma revolução! Inspirada pelo passado da mãe como Riot Grrrl, antiga integrante do feminismo punk dos anos 90, Vivian (Hadley Robinson) decide começar uma mobilização na própria escola. O filme é baseado na obra homônima de Jennifer Mathieu.
Elenco: Hadley Robinson, Lauren Tsai, Nico Hiraga, Patrick Schwarzenegger, Sydney Park, Anjelika Washington, Josie Totah, Amy Poehler, Alycia Pascual, Josephine Langford, entre outros
Duração: 111min
Roteiro: Tamara Chestna, Dylan Meyer
Produção: Amy Poehler, Morgan Sackett
Direção: Amy Poehler

E no Dia Internacional da Mulher, venho falar desse filme que traz uma mensagem muito importante sobre feminismo e sororidade: Moxie: Quando As Garotas Vão À Luta

Moxie é adaptação do livro de mesmo nome, da autora Jennifer Mathieu. Quando eu soube que a Amy Poehler estava na produção do filme, eu sabia que ele não poderia dar errado. E não deu.

Menos de meia hora de filme, já damos de cara com a cena onde Lucy (Alycia Pascual) tenta denunciar o assédio sofrido por Mitchell (Patrick Schwarzenegger) (inclusive esse merdinha mal deu um A e eu já queria rasgar a cara dele todinha), estrela do time futebol, para a diretora da escola e ela simplesmente manda "quando você usa essa palavra (assédio), eu tenho que preencher toda uma papelada". Nesse momento eu parei e refleti sobre o fato de muitas mulheres ficarem caladas justamente por conta desse tipo de tratamento. Se essa declaração tivesse saído de um homem, seria só mais um dia comum para uma jovem tentando fazer valer o seu direito, mas vindo de uma mulher, que também é figura de autoridade, o impacto é bem maior.

Confesso que achei a transição de Vivian (Hadley Robinson) para dar voz ao direito das mulheres foi um tanto brusca, mas sua decisão em escrever Moxie abriu os olhos para a situação de machismo e assédio presente em sua escola que, de alguma forma, todos (e até ela) de alguma forma já haviam se acostumado. 

Um ponto que gostei bastante foi a diversidade e representatividade no filme. Não li o livro, mas tenho 99% de certeza que as personagens ali eram quase tudo branca, mas na nossa realidade é sempre bom mostrar que a minha luta não é igual a luta da amiguinha negra/trans/entre outras. Outro ponto interessante foi a abordagem feita em Claudia (Lauren Tsai) e como sua situação (filha de imigrantes asiáticos) a limitava em querer lutar junto das suas amigas. Inclusive, todo esse grupo de amigas de Vivian são bem mais interessantes que a criadora do Zine, mas infelizmente não possuem tanto desenvolvimento.

Nem só de homens tóxicos vive Moxie e a prova é Seth (Nico Acosta). Toda sua personalidade é de um unicórnio, já que é quase impossível encontrarmos homens que não exalam sua masculinidade tóxica e que apoiam as mulheres em sua luta. Ou seja, homens vocês não deixarão de ser menos masculinos se ajudarem e apoiarem a luta das mulheres ao seu redor.  Já em Mitchell temos o padrão da sociedade: homem branco privilegiado que não sofre consequências em razão do que agrega para o ambiente (nesse caso, ele não agrega nada pois um péssimo jogador, assim como péssima pessoa).

Uma única questão que me incomodou e isso eu venho percebendo uma repetição em certos roteiros foi uma revelação nos minutos finais. [SPOILER] Nos últimos minutos do filme, Emma (Josephine Lanford) confessa que foi estuprada pelo chorume do Mitchell, mas não há um maior aprofundamento na questão. A cena seguinte corta para ele sendo chamado pela diretora e pronto. Não sei se acontecesse assim no livro, mas achei aqui muito banal deixar essa situação justamente para gerar um conflito final[/SPOILER]

No mais, Moxie prometeu e cumpriu, sendo um filme com mensagens importantes com personagens (em sua boa parte) carismáticos e um bom roteiro.



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