Título: As Quatro Rainhas Mortas
Título Original: Four Dead Queens
Autor: Astrid Scholte
Série: ---
Páginas: 392
Ano: 2019
Editora: Galera Record
Sinopse: Na efervescência de paixões proibidas, segredos e alguns mistérios, o reinado das quatro rainhas de Quadara está ameaçado – resta saber como, e por quem.
No continente de Quadara, há séculos quatro rainhas reinam absolutas, cada uma representando o próprio quadrante. Juntas, mas separadas. A decidida Iris fala por Archia, a ilha de terras férteis; a estoica Corra representa a tecnológica Eonia; Marguerite, a mais velha das rainhas, é a soberana de Toria e de seus curiosos habitantes; e Stessa, a mais jovem, é o rosto de Ludia, o quadrante da diversão e da arte. As quatro mulheres dividem o poder, sempre respeitando as Leis das Rainhas, sempre pensando no povo e no melhor para a nação. Mas elas têm segredos, e estes podem ser letais. Tão letais quanto Kelarie Corrington.
Aos 17 anos, a toriana é a mais hábil larápia e a melhor mentirosa de Jetée. um distrito de excessos, contrabando e charlatões. O último lugar que Varin, um mensageiro eonista, deveria visitar. Mas ele foi roubado... por Keralie, e a jovem é a única esperança de reaver a mercadoria e manter seu emprego. Um mensageiro nunca pode perder sua encomenda. Para piorar, há coisas muito mais sinistras nos chips de comunicação afanados por Keralie. Algo que pode enredar a larápia e o mensageiro em uma conspiração para assassinar as quatro rainhas de Quadara.
Sem opção, os dois resolvem se unir para descobrir o assassino e salvar a própria vida no processo. Quando sua relutante parceria começa a se transformar em algo mais, os dois precisam aprender a confiar um no outro e a superar as diferenças entre quadrantes para viver esse amor. Mas será que uma curiosa toriana e um insensível eonista têm alguma chance?



Depois de muita pressão por parte dos migos leitores que leram esse livro e adoraram, lá fui eu encarar essa bomba e bem… foi tudo o que eu já suspeitava: uma boa premissa mas desperdiçada com falta de desenvolvimento.

A história é narrada alternando tantos pontos de vistas que fica difícil você se apegar a alguém. Há as narrações em primeira pessoa feita por Keralie, há as narrações feita em terceira pessoa pelas ditas rainhas mortas... Confesso que eu me importava muito mais com o núcleo das rainhas do que com Keralie.

Keralie não é uma protagonista ruim, mas é daquele tipo praticamente invencível, que consegue fazer de tudo um pouco e não ser pega. De todos os milhões de personagens que apareceram, até que ela teve um pouco mais de desenvolvimento pela autora, ao focar em alguns detalhes de seu passado e sua atual vida.


Nos capítulos narrados por Keralie, ela conta com a ajuda de Varin, um mensageiro de um quadrante onde é predominado a tecnologia. O personagem tem uma profundidade tão grande quanto a de um pires, me fazendo acreditar que a autora perdeu uma boa oportunidade de explorar seus medos e motivações ao mostrá-lo somente na visão de Keralie.

Quanto às rainhas, o reino e os quadrantes, bem… Pelas informações jogadas pela autora dá pra perceber que ela até tinha um bom embasamento do universo que criou, mas infelizmente não soube explorá-lo. O mais interessante da história são os quadrantes e suas características, mas qualquer desenvolvimento ficou muito superficial.

Não fui com muita expectativa para a leitura e fiz muito bem em relação a isso. Apesar de umas duas surpresas que realmente eu não contava em encontrar aqui, a história foi totalmente previsível para mim a partir da metade do livro em diante. Quanto ao romance, certo que ele fica de segundo plano, mas é tão mal desenvolvido quanto o restante do livro justamente por vermos somente pelos olhos de Keralie. Ainda mais o fato que todos esses acontecimentos se passam em questão de dias e ao final de tudo resolvido, estão ela e Varin praticamente fazendo juras de amor.

Como uma boa doutora em fantasia com especialização em clichês de qualquer forma, o que me incomodou em As Quatro Rainhas Mortas foi a falta de um desenvolvimento. Nesse caso, caberia bem um segundo livro. Entretanto, para um primeiro livro da autora achei sua escrita bem consistente e fluída, facilitando a leitura e seu ritmo.