Título: Os Sete Maridos de Evelyn Hugo
Título Original: The Seven Husbands of Evelyn Hugo
Autor: Taylor Jenkins Reid
Série: ---
Páginas: 360
Ano: 2019
Editora: Paralela
Sinopse: Com todo o esplendor que só a Hollywood do século passado pode oferecer, esta é uma narrativa inesquecível sobre os sacrifícios que fazemos por amor, o perigo dos segredos e o preço da fama.
Lendária estrela de Hollywood, Evelyn Hugo sempre esteve sob os holofotes ― seja estrelando uma produção vencedora do Oscar, protagonizando algum escândalo ou aparecendo com um novo marido… pela sétima vez.
Agora, prestes a completar oitenta anos e reclusa em seu apartamento no Upper East Side, a famigerada atriz decide contar a própria história ― ou sua “verdadeira história” ―, mas com uma condição: que Monique Grant, jornalista iniciante e até então desconhecida, seja a entrevistadora.
Ao embarcar nessa misteriosa empreitada, a jovem repórter começa a se dar conta de que nada é por acaso ― e que suas trajetórias podem estar profunda e irreversivelmente conectadas.



Será que Evelyn Hugo vai me contar apenas o suficiente para me deixar intrigada sem revelar nada de fato?

Creio que a maior dificuldade se encontra em escrever uma resenha de um livro que você adorou. Fica aquela sensação de que, não importa o quanto você escrever, não vai ser suficiente para expressar o quanto aquele livro mexeu com você. E é assim que me sinto ao falar sobre Os Sete Maridos de Evelyn Hugo.

Apesar do grande hype no livro, eu fui sem expectativa alguma para, caso viesse a decepcionar, não doesse tanto. Pois bem… logo de início fui envolvida pela curiosidade e interesse ao redor da vida de Evelyn Hugo. No primeiro dia de leitura, em duas horas li 40% do livro; isso diz muito sobre como realmente a história me fisgou.

O livro é dividido em partes, cada uma denominada por um marido de Evelyn. Vamos acompanhar sua trajetória no cinema, de uma simples descendente cubana a uma estrela de cinema sedutora sempre envolvida em escândalos. Bem… essa era a imagem que ela passava para a imprensa e seus fãs.

As pessoas não são muito solidárias e acolhedoras com uma mulher que põe a própria carreira em primeiro lugar.

Nessa dita biografia, vamos conhecer a verdadeira Evelyn Hugo, uma mulher que soube o que queria desde nova, aprendeu o que era necessário para alcançar a fama e sucesso, fez de tudo para alcançar o seu foco, e ainda assim sem passar por cima de ninguém. Sim, ela usava as pessoas ao seu favor e ela sempre deixou isso claro a todos que passaram pela sua vida, frisando sempre que eles também seriam beneficiados ao serem associados com a grande Evelyn Hugo. Muitos podem achá-la egoísta e fria por não se arrepender de seus atos e do modo como conseguia tudo que queria, mas como a própria Evelyn diz que o mundo não dá nada, que temos que lutar pelo que queremos.

[...] Quando surge uma oportunidade para mudar sua vida, esteja pronta para fazer o que for preciso. O mundo não dá nada de graça para ninguém, só tira de você.

O único defeito deste livro é o fato de Evelyn Hugo ser uma personagem fictícia, porém podemos ver várias atrizes famosas em sua personalidade. Muitas vezes achei sua história de vida parecida com a da Marilyn Monroe; ambas tiveram que se recriar e moldar de acordo com o que era pedido na indústria cinematográfica na era de ouro. Assim como estava comentando a leitura com Denise e Bianca (ambas do Queria Estar Lendo), era bem difícil se controlar e não sair procurando no Google sobre as produções e acontecimentos narrados aqui de tão verossímeis que eles parecem.


Evelyn pode ser tomada como um modelo de inspiração para qualquer mulher. Desde nova ela soube o que queria e não poupou esforços para chegar onde chegou. Determinada, resiliente, inteligente e calculista são um dos milhares de adjetivos que podem descrevê-la, assim como sensível, romântica, sonhadora e esperançosa.

[...] você precisa aprender a se impor e a não se sentir mal com isso. Ninguém vai te dar nada de graça se você não pedir. Você tentou. E levou um não. Supere isso.

Cada um dos seus sete maridos marcou sua vida de uma forma, seja positiva ou negativa. É muito gratificante acompanhar seu crescimento e desenvolvimento na sua vida pessoal e profissional. Como ela soube dar a volta por cima mesmo quando não havia mais esperança, como ela aguentou de cabeça erguida vários boatos e fofocas a fim de que não prejudicasse as pessoas importantes na sua vida.

O grande sucesso do livro se deve ao fato de Evelyn ser bissexual, porém isso é o menos importante de sua personalidade, na minha humilde opinião. Admito e muito que Evelyn é um ícone bissexual, sendo uma das melhores personagens que li nessa representatividade; uma personagem bem escrita, trabalhada e desenvolvida, mas que nunca se deixou definir somente por quem ela se envolvia.

Ser bissexual não significa ser infiel [...] Uma coisa não tem nada a ver com a outra.

A imprensa, seus fãs e o resto do mundo a definiam com base em seus maridos, casamentos e fofocas, mas não Evelyn... Entre os seus amados, ela não se deixava ser reduzida somente à sua orientação sexual ou com quem se envolvia, o que realmente creio que seja o correto na sociedade. Entre os seus queridos, Evelyn era amiga, companheira, altruísta (de certa forma) e bastante solidária.

Dá até vontade de chorar — desejar tanto uma coisa tão simples, tão pequena. Você trabalhou muito para ter uma vida de esplendor. E agora tudo o que quer é uma liberdade modesta. A paz de poder amar sem reservas.

Pra mim, o mais importante da história foi acompanhar os bastidores através de Evelyn. Antes da leitura, eu já tinha um certo conhecimento dos podres da era de ouro hollywoodiana, mas ainda assim não deixei de me chocar, revoltar e soltar fogo pelas ventas de tanta raiva e incredulidade com certos acontecimentos. Os podres dos bastidores, situações que as atrizes eram submetidas para alcançar o sucesso… tudo isso Evelyn teve de aprender a navegar e sobreviver a tudo isso.

O mundo é cruel, e ninguém está disposto a estender a mão a ninguém.

Em paralelo a toda essa história de vida temos também Monique, a responsável para escrever a biografia de Evelyn. Particularmente, ela estava ali só para servir de meio de comunicação entre nós e Evelyn, apesar de ter uma certa importância na história. Ao final, fica a sensação que ela poderia ter sido melhor explorada, fazendo um paralelo de sua vida com a de Evelyn...

Todo mundo acaba se vendendo por uma coisa ou por outra.

Os Sete Maridos de Evelyn Hugo foi uma das melhores surpresas no final de 2019 e estou bastante ansiosa para sua adaptação. OK que é pelo Freeform (responsável pela série Shadowhunters), mas não custa sonhar e esperar que façam algo à altura do que essa ícone merece.

Consegui muita coisa na vida [...] Mas tive que lutar com unhas e dentes para conseguir. Se eu for capaz de deixar este mundo um pouco mais seguro e um pouco mais fácil para aqueles que vierem depois de mim… bom, então acho que tudo vai ter valido a pena.