Título: A Biblioteca Invisível
Título Original: The Invisible Library
Autor: Genevieve Cogman
Série: The Invisible Library #1
Páginas: 368
Ano: 2016
Editora: Morro Branco
Sinopse: Irene é uma espiã profissional da misteriosa Biblioteca, uma organização que existe fora do tempo e espaço e que coleciona livros e manuscritos de diferentes realidades. Junto com seu enigmático assistente Kai, ela é enviada para uma Londres alternativa com a missão de recuperar um perigoso livro. Mas quando chegam, ele já foi roubado.
As principais facções do submundo londrino estão prontas para lutar até a morte para achá-lo, e a missão de Irene é dificultada pelo fato de que o mundo está infestado pelo Caos - as leis da natureza foram distorcidas para permitir a existência de criaturas sobrenaturais e mágicas imprevisíveis.
Enquanto seu novo assistente guarda seus próprios segredos, Irene logo se vê envolvida em uma aventura repleta de ladrões, assassinos e sociedades secretas, onde a própria realidade está em perigo e falhar não é uma opção.



A Biblioteca Invisível era uma história que sempre chamou curiosidade, mas os comentários não eram dos melhores. Para esse primeiro livro, fui sem nenhuma expectativa e fui surpreendida com uma história bem envolvente.

Era de opinião geral de quem não curtiu muito esse primeiro livro foi a confusão do universo. Afinal, que raios é essa Biblioteca? Como achei esse plot de biblioteca e espiões bastante parecidos com o da série The Librarians, pra mim não foi difícil me familiarizar com o universo criado pela Genevieve. No fim das contas, A Biblioteca é uma entidade-lugar que fica fora do tempo-espaço e é rodeada de mistérios. Sua finalidade é mandar espiões a universos chamados alternativos para que eles "resgatem" edições raras de livros que podem não existir em outro alternativo.

Irene é uma protagonista bastante interessante de se acompanhar. Inteligente, sensata e bastante racional, Irene é leal à Biblioteca. Apesar de focada nas suas missões, ela tenta ao máximo não influenciar nos lugares em que é enviada. Nesse primeiro livro, ela tem como uma espécie de estagiário chamado Kai e juntos os dois formam uma ótima dupla. O novato é um homem misterioso, mas não menos digno de confiança da espiã.

Nesse volume não há romance, apesar dos indícios de um causado por flertes e provocações entre Irene e Kai. Ambos não escondem a atração que existe um pelo outro, mas Irene prefere não se envolver com o novato pelo simples fato que isso poderia gerar muitos problemas no futuro. Particularmente, mesmo que não role nos futuros livros algo a mais entre os dois, a amizade, companheirismo e confiança existe entre eles é o suficiente pois ambos funcionam muito bem juntos.

O que nos leva a um detalhe que pode ter passado despercebido entre os leitores é a sexualidade de Irene. Não ficou explícito na história, mas se formos ler nas entrelinhas algumas declarações da espiã dá a entender que ela já havia se relacionado com homens e mulheres e isso fez com que meu bi-radar apitasse loucamente.

Com já deixei claro em outras resenhas, orientação sexual não define meus sentimentos por personagens no geral, mas também não vou deixar de comemorar ao ver o B do vale sendo representado, principalmente na fantasia, visto que a comunidade bi que ainda sofre bastante preconceito dentro do grupo lgbt+. Só me resta torcer para que não seja nenhum queerbait. Pelo que consegui captar da história, pode ser que a autora não dê muito destaque explícito a esse traço da personalidade de espiã - já que Irene é uma mulher bastante reservada sobre sua vida pessoal -, mas também não é algo que eu não poderia deixar de comentar e torcer para se realizar de forma decente.


Além de Kai, temos outros coadjuvantes que se destacam. Vale é quase uma espécie de Sherlock Holmes e de bastante ajuda para Irene e Kai. Bradamant é uma espécie de nêmesis de Irene, mas também é dedicada à Biblioteca. Apesar da animosidade e uma bad blood no meio das duas, quando necessário elas juntam forças para evitar que o livro caia em mãos erradas.

Nesse primeiro livro, também somos apresentados ao que, possivelmente, será o vilão de toda a série. Alberich é um ex-bibliotecário que se revoltou contra a entidade e agora é tido quase como o Voldemort do local. Após algumas revelações na reta final, fiquei desconfiada que ele tenha alguma ligação com Irene, mas isso serão cenas dos próximos livros.

O universo criado por Genevieve é bem embasado. Aqui temos um tipo de multiverso cujos mundos são chamados de alternativos e a Biblioteca com suas portas secretas os conecta. Os chamados alternativos dão um toque steampunk no meio da fantasia pois Irene pode cair em um alternativo cuja magia é forte e que seja habitado por vampiros e feéricos, ou ela pode parar em um alternativo comum sem magia, com o nosso. Esses alternativos com seres mágicos são influenciados pelo Caos - quando as forças são distorcidas e isso permite a vivência desses seres mágicos.

Há uma infinidade de alternativos e creio que essa conexão com a Biblioteca seja explorada mais na frente.Também há a questão da Linguagem, uma espécie de idioma em construção próprio de quem é espião da Biblioteca. Achei bem interessante seu funcionamento, apesar de soar um tanto estranho suas ordens e comandos.

A escrita da Genevieve tem uma cadência envolvente e bem fluída. Ao longo da história, vamos aprendemos mais sobre a Biblioteca e como ela funciona. O mistério fica por conta do desaparecimento de um livro bastante importante para algumas pessoas, e elas estão dispostas a tudo para tê-lo em mãos.

A Biblioteca Invisível é um ótimo início de série e cumpriu bem seu papel introdutório. O final, apesar de ser um tanto fechado, deixou aberta portas para novas aventuras.