Resenha #395: A Pequena Sereia e o Reino das Ilusões - Louise O'Neill (DarkSide Books)

Título: A Pequena Sereia e o Reino das Ilusões
Título Original: The Surface Breaks
Autor: Louise O’Neill
Série: ---
Páginas: 224
Ano: 2019
Editora: DarkSide Books
Sinopse: TUDO PARECIA CALMO E COMUM NA SUPERFÍCIE... MAS NO FUNDO ERA O INICIO DE UMA REVOLUÇÃO!
Esqueça as histórias sobre sereias que você conhece. Esta é uma história diferente — e necessária. E tudo começa no fundo do mar. Com uma garota chamada Gaia, que sonha em ser livre de seu pai controlador, fugir de um casamento arranjado e descobrir o que realmente aconteceu à sua mãe desaparecida.
Em seu aniversário de quinze anos, quando finalmente sobe à superfície para conhecer o mundo de cima, Gaia avista um rapaz em um naufrágio e se convence de que precisa conhecê-lo. Mas do que ela precisa abrir mão para transformar seu sonho em realidade? E será que vale a pena?
A Pequena Sereia e o Reino das Ilusões chega para trazer um pouco mais de contos de fadas para a linha DarkLove, da DarkSide® Books. Mas não do jeito que você espera; aqui, a história original de Hans Christian Andersen — e também suas versões coloridas e afáveis em desenhos animados — é reimaginada através de lentes feministas e ambientada em um mundo aquático em que mulheres são silenciadas diariamente — um mundo que não difere tanto assim da sociedade em que vivemos.
No reino de ilusões comandado pelo Rei dos Mares, as sereias não recebem educação, não têm direito de fala, devem se encaixar em um padrão de beleza impossível e sempre sorrir. É neste cenário que a autora irlandesa Louise O’Neill apresenta uma história sobre empoderamento e força feminina. Com narrativa e olhar afiados, a autora ainda desenvolve aspectos do conto original que passaram batido, como o relacionamento de Gaia com as irmãs e as camadas complexas da Bruxa do Mar.
A Pequena Sereia e o Reino das Ilusões, que chega ao mundo acima da superfície da água com o padrão de qualidade que virou marca registrada da DarkSide® Books, mostra como, em um reino comandado pelo patriarcado, ter uma voz é arriscado. Mas também como querer usá-la é uma atitude extremamente poderosa e valiosa. Ainda mais em tempos tão sombrios.



Pela nota, estejam preparados para uma resenha mais que polêmica.

Quando começou a divulgação desse livro, sendo vendido como feminista e empoderador, eu já fiquei com os dois pés atrás. Como eu estava conversando com a Bibs (Queria Estar Lendo), eu SEMPRE desconfio de divulgação assim. Com o assunto e a luta do feminismo presente no dia-a-dia, panfletar um livro como feminista é um ótimo jeito de chamar atenção do público. Bom… como podem ver pela minha nota, não foi bem assim que aconteceu.

Ponto positivo para o livro é como a autora trabalha o papel da mulher na sociedade; como somos “orientadas” para ficar dentro do “padrão” estabelecido. Em vários momentos do livro, Gaia narra como ela e suas irmãs estão sempre sendo moldadas, seja por seu pai opressor ou até pela avó temerosa de retaliações.

A sociedade que ela vive embaixo do mar é extremamente machista e misógina. Mulheres são oprimidas no seu jeito de pensar, agir e até se alimentar. O seu pai, Rei dos Mares, é um tirano que vive tratando as filhas como meros troféus. Infelizmente essa ainda é a realidade de várias mulheres no mundo.

A escrita da autora é bem fluída, fazendo com que seja uma leitura rápida. Mesmo eu não gostando de várias coisas, eu me vi querendo continuar para saber até onde a autora queria chegar naquele desenvolvimento da personagem.

De resto, eu achei que a autora não soube desenvolver o que foi vendido. A partir do momento que Gaia está em terra e tem que fazer um humano se apaixonar para que não vire espuma do mar, teve muita enrolação e umas situações que são não tão críveis.

Como no conto original, Gaia troca sua voz para que sua cauda se torne pernas, mas precisa fazer com que o cara que ama (que ela só viu uma vez na vida e nunca mais) se apaixone por ela. Ela segue para terra firme, não só para fugir da sua vida submissa, mas também para procurar a verdade sobre a morte da sua mãe. Porém, suas atitudes dizem coisas completamente diferentes, já que ela está disposta a viver outra vida submissa para não voltar.


Uma personagem que eu destaco é Eleanor, mãe de Oliver. Uma mulher que faz de tudo para ser ouvida e respeitada no mundo dos negócios, mas ainda assim se vê se humilhando para o filho ajudá-la nesse quesito. Então, bem aí já sabemos como é a personalidade do Oliver, que é quem Gaia precisa fazer com que ele se apaixone.

O tal do empoderamento de Gaia só vai acontecer lá pelas vinte últimas páginas e eu achei muito mal executado. Tudo bem que ela quer se vingar de todos os homens que já a maltratou; entendo completamente esse sentimento, mas daí a autora colocar esse ponto como o ato de feminismo da personagem é mais que errado.

Na sociedade, ainda há muito do pensamento que feminismo é a supremacia da mulher sobre o homem quando na verdade é a luta por direitos iguais perante a tudo. Quando a autora coloca esse tipo de situação de vingança e raiva contra os homens como um ato desse movimento, ela retrocede e muito no conceito que lutamos para mudar.

Senti falta de uma maior interação entre Gaia e suas irmãs. Desde sempre, elas são postas a competir uma com a outra, mas nas poucas interações entre elas, vemos que o quão sofrido é para cada uma se submeter à vontade do pai.

Infelizmente A Pequena Sereia e o Reino das Ilusões não foi uma boa experiência. No fim das contas, ele só foi uma edição bonita e uma propaganda enganosa, pois essa revolução é a maior fake news.

15 Comentários

  1. Oi, Lu!
    Como a gente conversou no insta, eu realmente desisti de ler esse livro. Preciso aprender a confiar no meu instinto hahahahah acho que a autora colocar a Gaia saindo de uma situação de abuso e entrando em outra algo bem crível, preciso dizer, pq infelizmente é a realidade de muitas pessoas. E ela podia ter usado isso para escrever uma coisa TÃO LEGAL, é muito triste saber que todo o potencial foi desperdiçado, ainda mais em um livro sobre sereias, meus maiores mozões mitológicos.

    Bjs
    www.queriaestarlenso.com.br

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  2. Oi Lu, tudo bem? Que pena que foi uma decepção, eu tinha lido alguns bons comentários sobre a história e até tinha curiosidade em ler, mesmo sendo uma releitura de contos de fadas (que eu passo longe!). No final das contas, parece que a edição ganha mais pontos que a história em si.
    Beijos, Adri
    Espiral de Livros

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  3. Oi Lu!!!
    É tão triste um livro tão lindo e ao mesmo tempo sem conteúdo! Me senti bem assim lendo "A menina submersa", uma obra maravilhosa da Darkside!!! Essa decepção acaba com qualquer edição bonita...
    Um abraço,
    EVENTUAL OBRA DE FICÇÃO

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  4. Adorei seu esse seu artigo, realmente é um dos melhores blog que estou visitando. Suas postagens são excelente! Parabéns!

    Já até salvei em meus favoritos ❤️..

    Meu Blog: Apostar em Loterias

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  5. Poxa, que pena que não agradou, fiquei um pouco desanimada de começar essa leitura, aparentemente mais pessoas ficaram desapontadas com o livro tbm. Bom, a capa realmente engana...

    Beijo
    http://www.leiapop.com/

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  6. Oi Lu
    Acho que esse livro tem muitas opiniões contraditórias, teve gente que gostou e outros que não. Eu já não tinha me interessado antes, imagina agora.
    Beijo

    https://www.capitulotreze.com.br/

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  7. Oi
    uma pena que a leitura acabou nçao agradando e que acabou não sendo tudo aquilo que divulgaram, a edição é linda e eu compraria só para ter ela na estante, poucos livros dessa editora que eu acabo gostando da leitura, pelo menos a leitura é fluida.

    http://momentocrivelli.blogspot.com

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  8. Oi Lu.
    Acho que um dos motivos pelo qual não gosto de releituras, é porque o autor fica preso a história original para criar uma especie de paradigma que mostra; hey isto aqui é uma releitura. Pela sua resenha, acho que posso dizer que foi isso que aconteceu nessa obra. Talvez se a autora tivesse se desprendido do conto, quem sabe assim, ela não poderia ter trazido melhor sua temática né?
    Adorei a resenha.
    Beijos.
    Fantástica Ficção

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  9. Hi, Lu. Tudo numa nice?
    Eu queria saber sua opinião sobre essa estória, sobretudo pq foi uma nota baixa. Eu li a versão original de A Pequena Sereia e foi uma das leituras mais tristes e intensas que já vi. Essa estória parece trazer algo diferente do que já li. E tbm não me agradaria por essa ideia de vingança quando a autora poderia executar outra coisa. Acontece muito esse marketing precipitado.
    https://piecesofalanagabriela.blogspot.com/

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  10. Olá, Luiza.
    Eu já nem levo mais fé nos livros da DarkSide que são lindos nas edições mas que quase sempre deixam a desejar nas história. E que pena que a autora reforçou a ideia de que quase todo mundo tem do feminismo, que se trata das mulheres querer ser mais que os homens, quando na verdade só querermos direitos iguais. Não sei quando vou ler meu exemplar.

    Prefácio

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  11. OI Luiza, gostei da ideia de repaginar o conto de fada e colocar um olhar atual e feminista. Pena que o empoderamento da personagem foi demorado, pelo o que você falou, e não tão bem trabalhado. Mas achei a abordagem interessante.
    beijos
    Chris
    Inventando com a Mamãe / Instagram  / Facebook

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  12. Oi Lu, tudo bem? Eu ainda não terminei, no momento estou achando a Gaia bastante infantil, mas ainda tenho a desculpa da idade dela. Mas enfim, acho que depois de avançar mais na leitura saberei melhor.

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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  13. Oiii Lu

    Desde que vi esse livro sendo divulgado por todos os lados perdi o interesse, não sei, sabe quando algo te diz "não leia, não é o que dizem" e pelo visto acertei. A edição é linda (caprichada como todos os livros da Darkside) mas... não vi nada nele que mexesse com a minha curiosidade. Acho que esse vou deixar passar.

    Beijos, Ivy

    www.derepentenoultimolivro.com

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  14. Oi Lu,

    O livro tem tudo para ser bom, mas que pena que deixa muito a desejar, quando a editora lançou fiquei bem curiosa, mas de tantas resenhas negativas perdi um pouco do ânimo de ler.
    Bjs e uma boa semana!
    Diário dos Livros
    Conheça o Instagram

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