Título: Bring Me Their Hearts
Título Original: ---
Autor: Sara Wolf
Série: Bring Me Their Hearts #1
Páginas: 400
Ano: 2018
Editora: Entangled Teen
Sinopse*: Zera é uma Sem Coração - uma soldado imortal vinculada a uma bruxa. Vinculado à bruxa Nightsinger, Zera anseia pela liberdade dos bosques em que se esconde. Com seu coração em uma jarra sob o controle de Nightsinger, ela serve a bruxa inquestionavelmente.
Até que Nightsinger pede a Zera o coração de um príncipe em troca do seu próprio, com um adendo: se ele descobrir que ela está se infiltrando na corte, Nightsinger destruirá o coração de Zera em vez de vê-la torturada pelos nobres que odeiam bruxas.
O príncipe herdeiro Lucien d'Malvane odeia a corte real tanto quanto ela o ama - todo tutor tem muito medo de corrigi-lo e toda garota disputa um lugar ao seu lado. Ninguém pode desafiá-lo até a chegada de Lady Zera. Ela é deselegante, de respostas inteligentes, despreocupada. A honra do príncipe fez com que ele mirasse seu pescoço.
Então começa um jogo de gato e rato entre uma garota sem nada a perder e um garoto que tem tudo.
O vencedor leva o coração do perdedor.
Literalmente.

*ARC recebida através do NetGalley em troca de uma opinião honesta*

Quando li a sinopse de Bring Me Their Hearts, eu não pensei duas vezes em requisitar a ARC. Quando fui aprovada, foi só alegria. A sinopse já diz basicamente o que rola na história. Por aí já se suspeita que vai ser aquele clichê da menina se apaixonar pelo príncipe e assim vai. Bom, vai por esse caminho sim, mas Sara conseguiu fazer uma história incrível.

Logo nas primeiras páginas eu sabia que iria amar Zera. Creio que, de todas as personagens atrevidas e de língua grande que já conheci, Zera fica em primeiro lugar. Pra tudo - repito TUDO - ela tem uma resposta sarcástica ou piada pronta na ponta da língua. Claramente ela faz isso como modo de defesa por ser uma Heartless (sem coração).

Ela é jovem. Ela está apavorada. Ela está brincando de se vestir. Ela está jogando um jogo muito perigoso.
Ela é sem coração.*

Porém, mesmo sem esse órgão que serve para bombar o sangue no corpo, Zera consegue ser mais humana do que muitos que o possuem. Sim, no fim das contas ela vai sentenciar Lucien para o seu mesmo destino, mas ela não o faz de maneira egoísta. Além de recuperar seu próprio coração caso consiga pegar o de Lucien, ela também irá poupar vida de outras pessoas que também são importantes pra ela. Ao longo da história, vemos Zera nesse dilema de sentenciar um inocente ao seu estilo de vida e salvar as pessoas que se importa.

Gostei bastante dessa construção dos Heartless. Zera é uma pessoa praticamente normal, apesar de alguns detalhes por conta da sua falta de coração. Como, por ex, cura instantânea e chorar sangue (literalmente) ao comer comida normal. Achei interessante o motivo pela qual a bruxa tirou o coração de Zera e, assim como temos humanos bons e cruéis, as bruxas também podem ser divididas assim.

Além desse dilema de roubar o coração do príncipe, Zera luta constantemente contra a fome, consequência da sua falta de coração. Essa fome é como se fosse um lado animal maléfico de Zera, sempre tentando-a a ceder a sua natureza sanguinária. Ela carrega uma grande culpa sobre seu ato de vingança contra os bandidos que mataram seus pais. Algumas pessoas acharam esse detalhe um tanto chato, mas eu gostei da autora ter mostrado como essa vingança ainda assombra Zera. Mostra que a personagem, apesar da perda do seu órgão, não deixou que isso tirasse sua humanidade.

Por que isso é tão repentino? Por que eu não posso ser a garota que eu costumava ser - empenhada em ganhar minha liberdade de volta, independentemente do custo?
Por que eu não posso ser o monstro?*

Lucien é o típico mocinho que você irá se apaixonar. Ele é o herdeiro do trono visionário, já com altos planos de mudar o modo de vida de seus súditos e assim vai. Lado a lado, vem o peso de ter herdado o trono por conta da morta da sua irmã mais velha. Assim como Zera, vai ser difícil não se apaixonar por Lucien por esses e outros motivos, como sua coragem e perseverança; sua humildade e determinação. Em certos momentos, ele me lembrou bastante Dorian (Trono de Vidro). Lucien tem até seu próprio Chaol, que aqui se chama Malachite (seu guarda pessoal). O relacionamento dos dois não é somente de guarda e protegido; há uma amizade bastante sincera entre eles e Malachite é capaz de colocar sua vida em risco por Lucien, não somente por que é sua obrigação.


Dos personagens secundários, destaco Lady Y’shennria e Fione. Lady Y’shennria é uma aristocrata que se passa por tia de Zera por motivos que não vou falar porque é spoiler. A mulher tem um passado conturbado com Heartlesses mas ainda assim decide abrigar uma e transformá-la numa lady para corte. Devo dizer que rolou um cadinho de trabalho já que Y’shennria e Zera têm gênios fortes. O que, de início, era somente um fardo para ambas, durante a história vemos a relação entre as duas evoluir para algo parecido como mãe e filha.

Porque era a garota que eu conhecia, a garota que eu treinava, a garota que eu assisti florescer de uma coisa deselegante em uma bela jovem - porque era você, Zera, eu não sinto medo algum.*

Fione também merece seu destaque por representar aquelas pessoas que sempre subestimamos somente por conta de algum defeito físico. Apesar de passar a imagem de boba e inocente para seu tio e toda a corte, Fione é bastante inteligente, calculista e um tanto manipuladora. É a partir de seus planos que alguns segredos são revelados.

[...] nossa dor gera ódio, e nosso ódio faz com que todos façamos coisas terríveis.*

Um ponto positivo para Sara foi a caracterização de seus personagens. Não é dito com todas as letras, mas a autora deixa a entender que Zera é uma personagem plus-size. Já a família real e Lady Y’shennria são pessoas de cor. (Não curto muito essa expressão, mas foi a única que consegui lembrar no momento da escrita dessa resenha) Fione tem uma deficiência física no pé. Então, representatividade é o que rola nessa história.

Eu quero ser humana. Mas que tipo de humana eu seria, sem ninguém para amar? Que tipo de humana eu seria, tendo traído tantos?*

A história é narrada em primeira pessoa por Zera. Ultimamente, ando curtindo mais fantasias que são narradas em terceira pessoa por motivos de uma maior ambientação, mas a narração de Zera não deixa a desejar. A escrita da Sara é bem rápida e envolvente. Meu único problema foram alguns capítulos um tanto longos, mas nada que atrapalhasse tanto a leitura.

Eu havia lido algumas reviews antes de começar a história e falaram que rola um plot twist muito louco na reta final. Gente, eu fiquei foi nervousa porque já estava no capítulo 16 (o livro possui 18) e o babado ainda estava encaminhando para aquilo que eu suspeitava. Então foi aí que veio o baque do plot twist e a autora sendo malvada terminando a história com aquela frase. ONDE EU VENDO MINHA ALMA PARA CONSEGUIR LOGO O SEGUNDO???????

Se você tem medo do passado, isso se torna seu futuro.*

Bring Me Their Hearts foi uma leitura que prometia ser mais uma fantasia para passar o tempo, mas que trouxe várias reflexões sobre o que te faz ser humano e ter coração. Não vejo a hora de ler a continuação.

Como todos nós devemos ser, mas como todos nós não podemos ser.*

* Traduções feitas por mim