Título: A Conjuring of Light
Título Original: ---
Autor: V.E. Schwab
Série: Shades of Magic #3
Páginas: 624
Ano: 2017
Editora: Tor Books
Sinopse*: Testemunhe o destino dos amados heróis - e inimigos.
O equilíbrio do poder finalmente desmoronou

O equilíbrio precário entre as quatro Londres atingiu seu ponto de ruptura. Uma vez transbordando com a vivacidade vermelha da magia, a escuridão molda uma sombra sobre o Império Maresh, deixando um espaço para outra Londres para se levantar.
Quem cairá?
Kell - uma vez que se supõe ser o último Antari sobrevivente - começa a vacilar sob a pressão de lealdades concorrentes. E no despertar da tragédia, Arnes pode sobreviver?
Quem ascenderá?
Lila Bard, uma vez uma ladra comum, mas nunca comum, sobreviveu e floresceu através de uma série de ensaios mágicos. Mas agora ela deve aprender a controlar a magia, antes que ela se esgote. Enquanto isso, o desonrado Capitão Alucard Emery do Night Spire recolhe sua equipe, tentando uma corrida contra o tempo para adquirir o impossível.
Quem tomará o controle?
E um antigo inimigo retorna para reivindicar uma coroa enquanto um herói caído tenta salvar um mundo em decadência.


ATENÇÃO! Se você não leu os livros e/ou as resenhas anteriores, pode conter spoiler

Estou escrevendo essa resenha sem ainda saber o que sentir com o término dessa trilogia que se tornou uma das melhores fantasias que li nos últimos tempos.

Diferente de A Darker Shade of Magic (Um Tom Mais Escuro de Magia) e A Gathering of Shadows, que tem o início do livro em um ritmo um tanto lento para podermos nos habituar, A Conjuring of Light já começa bem frenético. Isso deve-se ao fato do gancho do livro anterior. Durante suas 600 e tantas páginas, o ritmo da leitura permaneceu o mesmo. Até em seus momentos de “calmaria”. Logo nas primeiras páginas eu já havia favoritado esse livro como o melhor dos três.

Meus feelings desde o começo do livro
De todos os personagens, acho que Kell foi o que se manteve mais constante e num bom sentido. Ele ainda tem um espírito altruísta, de querer se sacrificar pelas pessoas que ele se importa. O único fato que mudou é que ele não se sente mais sem um lugar no mundo. E depois de tudo que ele sofreu no livro passado, meu bolinho merece ser feliz.

Rhy também é outro bolinho que merece ser feliz. O príncipe boêmio e galanteador aprendeu durante que a vida nem sempre é o que queremos. Sempre frustrado por não ter magia, Rhy compensa com seu lado político e diplomático e aqui ele terá de colocar bastante em prática. Sua lealdade para com Kell entra em conflito com sua lealdade para com o povo de Arnes.

Se Lila no livro passado perdeu alguns pontinhos comigo, aqui ela os recuperou. Creio que de todos os personagens, ela foi que teve um maior crescimento e amadurecimento durante toda a série. De certa forma, ela teve de enfrentar alguns de seus medos e insegurança, mas no fim das contas ela teve o que sempre sonhou.


Outro fato que gostei bastante foi saber um pouco mais do passado de Holland. Só posso dizer que o cara não teve muita sorte na vida. Eu sempre gosto de saber sobre passado de personagens complicados pois, geralmente, esses acontecimentos ainda influenciam vida. Com Holland não foi diferente. Desde criança o destino não ajudou em nada o cara, forçando-o a se tornar o que ele é. E, apesar de ter sofrido horrores na White London, tudo que ele quer é salvar seu mundo de origem.

Cicatrizes não são vergonhosas, não a menos que você as deixe. Se você não usá-las, elas vão usá-lo.*

Alucard não teve taaanto destaque aqui como no livro passado, mas adorei tudo sobre ele. As implicâncias entre ele e Kell são umas das melhores partes da história. Os dois não se suportam, mas tentam não se matar, por um pedido de Rhy. Falando em Rhy, aqui sabemos um pouco mais sobre o passado do capitão com o príncipe de Arnes.

“Escolhendo um presente?” perguntou o capitão.
"Não."
"Bom, então pegue isso." Ele deixou cair um anel na mão de Kell.
Kell franziu o cenho. "Estou lisonjeado, mas acho que você está propondo ao irmão errado."*

Agora, precisamos falar sobre o romance no livro. Nesse caso, a falta dele. Desde o primeiro, temos insinuações entre Kell e Lila. No segundo, temos a introdução de outro casal. O legal nessa trilogia é que esses romances ficam super em segundo plano. Aprende ae, galera! Claro que temos aqueles momentos que são só coraçõezinhos e suspiros quando os ships ficam juntos, com beijos aqui e ali, mas isso não faz com que os personagens percam o foco do que é importante.

Outro detalhe legal da relação entre Lila e Kell é que em nenhum momento um quis mudar o outro. Só Sanct sabe o quanto Lila fez Kell se preocupar até o último fio ruivo daquele cabelo, mas nem por isso ele quis que ela mudasse o jeito de fazerem as coisas acontecer, apesar de sempre querer que ela tivesse mais cuidado. (Eu nem acredito que Lila e Kell inventaram o conceito de relacionamento saudável entre mocinhos)

Da esquerda para a direita: Kell, Lila, Rhy, Holland, Alucard
Se eu já estava sofrendo que esse é o último livro, sofri mais ainda com algumas mortes. Gente, a mulher baixou o espírito da JK em Harry Potter e as Relíquias da Morte: saiu ceifando um monte de gente. A cada morte, eu me perguntava "Minha senhora, mas que sangria desatada é essa?". OK que teve uns que realmente mereceram morrer, mas a cada morte de um personagem querido, era uma tristeza só.

Só um detalhe bem pequeno que eu senti falta: os acontecimentos que levaram a selar a Black London. Eu sei que pode não se encaixar na história, mas bem que a autora poderia escrever um conto (tipo o que a Pearson fez com Morrighan), contando tudo o que aconteceu e levou à queda da Black London.

É sempre difícil se despedir de uma história que você gostou bastante. Por isso, aqui eu não me despeço para todo sempre, eu simplesmente digo Anoshe. (Afinal, tem um contrato por aí de adaptação e fé no Pai que vai sair do papel)

Arnesians tinham uma dúzia de maneiras de dizer olá, mas nenhuma palavra para despedir-se. [...] mas mais frequentemente eles escolhem dizer anoshe - até outro dia. [...] Anoshe trouxe consolo. E esperança. E a força para deixar ir. *

PS: só quando estava terminando de ler o livro que percebi que Alucard é Dracula ao contrário. Referências!!!


Resenhas anteriores
Livro 1 - A Darker Shade of Magic
Livro 2 - A Gathering of Shadows

* Traduções feitas por mim