Título: The V Girl
Título Original: ---
Autor: Mya Roberts
Série: ---
Páginas: 363
Ano: 2014
Editora: Independente (Kindle Edition)
Sinopse*: Em uma América do Norte pós-apocalíptica, estupro e escravidão sexual são legais. Lila Velez, quer desesperadamente perder a virgindade antes que as tropas visitem sua cidade e podem tirá-la a força. Ela faz planos para seduzir seu único amigo, Rey, o homem mais atraente em sua cidade. Lila não o ama, mas ele é o único homem que mostrou seu verdadeiro afeto, um carinho que ela está disposta a assumir como um substituto do amor.
O mecanismo de enfrentamento de Lila para estupro e sequestro de sua mãe é seu segredo. Um segredo que irá trazê-la mais perto de Aleksey. Lila não confia nele por conta de sua ligação para as tropas e sua áspera e irresistível aparência... Aleksey oferece Lila uma alternativa para seus planos, a possibilidade de que a aterroriza... e tenta-la, apesar de si mesma.
Durante todo o tempo Lila terá que encontrar uma maneira de viver na companhia constante da morte, escravidão, fome, abuso sexual e o perigo de perder as pessoas que ela mais ama.


Leitura recomendada para maiores de 18 anos

Leia a resenha em inglês aqui. (Read this review in English here)

Esse livro me foi indicado por uma amiga. Percebe-se que essa amiga não é tão normal quanto eu. Demorei um pouco a começar a ler, mas, quando comecei, não consegui parar. Eu já comentei aqui que essa foi uma das minhas melhores leituras do ano passado e somente agora lhes trago a resenha porque ainda não havia parado pra pensar, sentar e organizar as ideias.

Primeiramente, eu devo dizer que esse livro provavelmente nunca vai ser lançado por aqui. Além de tratar de assuntos bem fortes, como estupro e escravidão sexual, ele ainda é pouco conhecido até lá fora. Eu mesma só soube por conta dessa minha amiga e algumas indicações no Goodreads. Apesar dos pesares, eu achei a premissa bem diferente de todas as distopias que já li na vida.

A sinopse já diz tudo sobre o que esperar da história, então vou pular logo pro que importa.

Esse livro tem uma temática que podemos trazer para nossa realidade: o estupro e escravidão sexual em países em guerra civil. No livro, temos a cidade de Lila, Starville. A cidade é miserável, fedorenta e arruinada. Por conta da renúncia que fizeram à cidadania americana, eles abraçaram o lado nacionalista, que, por ironia do destino, está perdendo a guerra.

Outro aspecto que podemos trazer é o preconceito presente no livro. Os habitantes da cidade não escondem seu preconceito aos homossexuais e a casamentos interraciais. Infelizmente, os dois ainda acontecem muito na nossa sociedade.

Apesar da guerra, todo ano acontece a cerimônia de recrutamento. Ou seja, mulheres e homens, de preferência jovens, são “recrutados”, o que é um termo de fantasia para dizer que eles serão escravos sexuais dos soldados pelo resto da vida. O que revolta Lila - e a nós também, mesmo que você não leia o livro, mas leu a sinopse - é que isso tudo é legalizado. Fora isso, os habitantes jovens vivem com constante medo de encontrarem os soldados. Eles tomam hormônios para ficarem grandões e tal e isso afeta o apetite sexual dele.

A relação sexual com o consentimento mútuo duvidoso é frequente entre outras espécies animais. Por que privar os soldados de uma inclinação natural?
Barnabas Kim. Co-Criador do Programa de Modificação de DNA*

Além disso tudo, ser virgem é um insulto, uma ofensa. Esse é um dos motivos que Lila é obcecada por perder sua virgindade. Ela sabe que possivelmente será recrutada, mas, antes disso, ela quer ter uma experiência onde ela não seja obrigada. Esse obsessão me irritou um pouco ao longo do livro, mas é compreensível. Em alguns momentos, eu me coloquei na pela de Lila. Ela viu sua mãe ser estuprada e sequestrada e ela não quer perder sua virgindade desse jeito.

O rosto de seu agressor me assombra à noite. Talvez eu gosto de ver sexo consensual para apagar o ataque da minha mente.*

O título do livro - The V Girl - tem dois significados na história. Em alguns momentos, chamam Lila de V Girl, mas com diferente propósito. Um deles é porque ela é virgem. O outro vou deixar pra descobrirem quando fizerem a leitura. (Se fizerem)

Apesar de não ser um erótico, o livro vem com esse aviso porque contem algumas cenas bem fortes. Não são muitas, mas ainda assim. Entre elas, tem a cena do recrutamento. Vocês podem até imaginar como é, mas não chega nem perto.

Eu sei que tudo que falei até agora são pontos que não incentivam a leitura desse livro, mas recomendo assim mesmo. Assim como Proibido, esse livro me fez sair da minha zona de conforto, nesse caso, da zona de conforto das distopias. Nas distopias que estamos acostumados, em algum momento, sempre estoura uma guerra. Isso é fato. Há mortes de nossos personagens queridos e de outros nem tanto, mas em nenhum eu vi mostrarem esse lado feio da guerra. Infelizmente, em todas as guerras que já aconteceram na história desse mundão, acontecimentos parecidos aos descritos no livro existiram. E ainda existem. Nos países do Oriente Médio, que estão sempre em uma guerra civil, essa prática existe e nem todos os casos são noticiados na mídia.

Agora um comentário para tirar toda essa carga pesada da resenha. Enquanto lia, eu imaginava Aleksey igual ao Chris Hemsworth no seu estilo Thor. Maaaaas um dia me deparei com uma beleza na internet chamada Brock O’Hurn e tenho certeza que a Mya escreveu o Aleksey olhando para uma foto desse cara.

Pausa para apreciar essa beleza da natureza
A autora não pretende dar uma continuação a esse livro, mas, pesquisando mais sobre ela, eu vi que ela pretende escrever mais um livro nesse universo.

Bom… The V Girl é uma leitura pesada com temas bem fortes, mas recomendo para quem quer sair da zona de conforto.

*Traduções feitas por mim